Para os poucos que visitam esse blog, não sei se vocês repararam mas as coisas andaram meio paradas por aqui.

Pra reverter a situação vo postar alguns trechos de alguns textos aleatórios:

O que você esperando? Porra, você é um merda mesmo! Não espera que eu mesmo puxe o gatilho não é mesmo? Sinta o ódio crescendo dentro de si enquanto meu sarcasmo te corroí por dentro. Qual é a dificuldade em atirar? Sinto minha têmpora queimar pelo cano da arma. Vamos, acabe logo com isso seu cretino. Acabe comigo e tenha uma vida normal. Pelo menos até você colocar a arma na própria boca e atirar. Eu sei que você vai fazer isso. Talvez daqui a 5 anos ou 5 dias. Não importa, meu sangue em suas mãos vai te amaldiçoar até a loucura. Eu sempre consigo o que eu quero. Tenha certeza disso.

Hora do show

Respiro com dificuldade o ar gelado. Sinto como se o ar perfurasse meus pulmões já castigados pelo cigarro. A neblina que toma as ruas me torna invisivel. É assim que deve ser. Meu proximo show não deve ser visto, apenas executado. Algo entre mim, ela e a neblina. Lá está ela saindo de casa sempre no mesmo horário. Nossoshow começa agora. A neblina se condensa em contato com a lamina prateada da faca. Ela é a estrela de hoje. Ela continua a camainhar. Mal sabe ela que está caminhando para o nada. Está na hora de me tornar visivel. Ela olha para mim e ve apenas um estranho. Quando vê a faca ela ve a morte. Mas já é tarde demais. A faca encontra seu lugar na carne. Uma, duas dez vezes. A neblina se torna vermelha. A faca retorna ao seu lugar de origem. Ela cai no proprio sangue. Nosso destino se separa novamente. Me torno invisivel. O show acabou.

Divina corrupção

Ele não entende o que está acontecendo. Sempre disseram que deus era justo. É justo que seus pais sejam mortos assim? É justo que ele seja tratado como um objeto? Argila simples e tosca que se tornaria formosa mas mãos de deus. Seus olhos estão opacos e vazios. Vazios como a sua vida a partir de agora. O amos dos pais foi tirado dele e vai ser preenchido aos poucos pelo ódio. Ele não sabe agora, mas esse ódio o fará ser maior que qualquer deus.

E essa é toda a verdade

Diabo, por que não posso simplesmente esquecer tudo isso. Foi legal enquanto durou, mas tudo chega ao fim. Tenho um bom emprego, uma geladeira cheia de cerveja e uma esposa com um belo par de peitos. Esse não é a base do sonho americano? Se eu simplesmente parasse de escrever poderia dormir cedo, não ficaria paranoico pelos varios copos de cafe e talvez pudesse pensar em ter um filho? A vida não seria tão mal assim.
A vida em sociedade é assim. Temos que ir abrindo mão das coisas que gostamos até o mundo achar que merecemos alguma coisa de volta. Abrir mão daquilo que somos apenas pra deixar a porra do mundo feliz. Eu poderia ter uma boa vida. A base dos meus problemas é exatamente a base da minha vida atual. Desistir de escrever seria esquecer tudo q eu passei até agora. E isso não vai acontecer. Pelo menos não agora.

 

Cala-te a boca
E sente o silêncio que nos envolve
Negue teu corpo
E se torne parte do vazio
Abra teus olhos
Encontre a cólera em meus olhos opacos
Sinta o cheiro de ferro no ar
E apenas responda para esse corpo inerte
Porque meu sangue continua escorrendo por suas mãos?

Lei do mais forte

Dizem que a primeira lei do mundo foi a lei da sobrevivência, também conhecida como Lei do mais forte. O mundo sempre foi um lugar cruel e para os mais fracos só é permitido caírem em desespero diante da superioridade dos mais fortes.

Até hoje essa lei obsoleta segue imbatível.

Sou aquele que eu chamo de alvo. O ponto mais baixo da cadeia alimentar da nossa sociedade. Todos os dias eles acham necessário me lembrar que tenho uma vida horrível. Como se não soubesse disso. Para manter o equilíbrio do mundo, sempre haverá os fracos. Sempre me lembram que não há nada que possa fazer para mudar minha vida. Por eles, ela seria sempre repleta de rejeição, humilhação e escarnio.

Hoje decidi ser mais forte. A retaliação é esperada. Confesso que não esperava que meu sangue jorrasse desse jeito. Eles vão embora, com meu sangue impregnado em suas roupas, felizes por manterem a ordem natural.

Não sei bem o eu aconteceu comigo. Pode-se dizer que estou mais forte. Posso fazer coisas inimagináveis para outros humanos. Nem sei se ainda sou um humano. Vou fazê-los pagar pelo que fizeram comigo durante todos esses anos. Espero que não pensem que é vingança.

É a lei do mais forte.

Uma história meio antiga.

Para frente. Para trás. Balançando sem ritmo como o pendulo de um relógio que ninguém se preocupa em arrumar. Os rangidos da cadeira chegam aos seus ouvidos como sons vindos de muito longe. Ele se vira e vê um reflexo refletido na televisão. De quem será aquele rosto refletido no vidro negro da televisão? Ele olha os posters nas paredes e as miniaturas na prateleira, mas elas não lhe respondem a pergunta que há muito tempo foi esquecida, mas que retorna nos tempos de solidão e angustia para atormentar sua mente.

Quem sou eu?

Tudo nesse quarto mostra apenas uma existência vazia. A sociedade lhe diz como viver. Dia após dia. Hora após hora. Todo seu ímpeto foi tomado pelos sorrisos idiotas que estão gravados nas fotos como momentos felizes. Essas fotos mostram a mesma coisa: mentiras. Mentiras para os outros. Mentiras para si mesmo. Ele sabia a resposta, mas a sociedade o tornou um ser perfeito com uma mascara sobre seu rosto deformado e torto com o qual nasceu.

Quem sou eu?

Seres perfeitos não precisam de perguntas. As respostas são dadas pelo bem coletivo. Seres perfeitos não almejam nada, a vida se torna apenas algo pelo qual devemos passar até a nossa morte.

Ele não quer isso. Pela primeira vez em anos ele sente dor. Na sua mão a mascará, formosamente criada para ele, balança fracamente e cai no chão se quebrando. Ele pode ver seu rosto finalmente, o vidro negro de TV agora reflete aquilo que tanto lutaram para esconder ao invés de um rosto vazio.

Mas isso não responde a sua pergunta. O que está por trás daquele ser imperfeito que por tanto tempo foi toscamente disfarçado em algo que ele não queria. Quem é ele? Isso não muda o fato de sua existência ser vazia. Seus olhos são inexpressivos, frios como a mascara que os escondia. Ele aprendeu como ser perfeito.

Ele esqueceu como ser ele mesmo.

As notas na escola. As fotos com amigos e familiares. Todos os feitos. Todas as conquistas. Em tudo a mascara está presente, sorrindo, chorando, dando o seu melhor. Nada disso foi feito por ele. Quando sua vontade foi substituída por essa mascara? Ontem? Há 10 anos? Para ele não há nada que comprove que ele está ou esteve realmente vivo. Talvez sem a mascara tudo que reste seja uma morte simples e fria. Talvez ele não seja nada sem aquilo que foi dado para ele.

Quem sou eu?

Ele ainda não sabe a resposta. Muitas outras perguntas ainda o atormentam. Ele pensa que seria mais fácil colocar a mascara novamente e continuar vivendo naquele mundo, seja ele real ou não. Mas isso não é possível. Os cacos da mascara jazem no chão do seu quarto, junto com algumas lágrimas e gotas de sangue derramadas sem motivo algum.

Como em seu quarto, nas ruas ele continua balançando fora do ritmo. Fora dos padrões impostos. Fora do balanço das mascaras frias ao seu redor. Ele é como o relógio que ninguém se preocupa em concertar. Suas batidas destoam do ritmo. Destoam do mundo perfeito do qual ele escapou. Suas batidas são como um protesto ao som ritmado e angustiante da rotina. Talvez ele fosse mais feliz sem ter que se preocupar com o que fazer. Talvez a vida fosse mais simples. Talvez fosse mais simples ser manipulado e tragado pela rotina tão bela e perfeita que haviam feito par ele. Não há como saber. Os cacos da mascara em um canto do quarto mostram a sua escolha.

Todos os dias, antes de sair, ele se olha no espelho. Afinal agora há alguma coisa para olhar não apenas uma mascara imutável. Ele sorri ao perceber que não gosta do que vê. Talvez um dia comece a gostar. Talvez um dia se acostume com seu real rosto.

Ou talvez apenas desista e continua a viver uma vida tão vazia quanto a vida que a mascara lhe impunha.

Afinal agora ele tem escolhas. Essas escolhas próprias o afastam cada vez mais do mundo calmo e sereno das mascaras. Ele não sabe até onde suas escolhas o levaram. Talvez o levem até a resposta.

Quem sou eu?